Restaura Senhor a nossa sorte !

A RESTAURAÇÃO DA SORTE DE UM POVO


Texto Bíblico: Salmo 126

Parecia um sonho, bom demais para ser verdade: o Eterno trouxe de volta os exilados de Sião! Nós rimos e cantamos, sem acreditar em tanta felicidade. Éramos o assunto das nações – “O Eterno foi maravilhoso com eles!” Diziam. O Eterno foi de fato maravilhoso conosco: somos um povo feliz! E agora, ò Eterno, age de novo a nosso favor, enviando chuvas sobre nossa vida assolada pela seca. Assim, os que plantaram sua semente em desespero vibrarão de alegria na colheita. E os que saíram com o coração aflito voltarão para casa sorrindo, com os braços cheios de bênçãos”. (versão A Mensagem)




Introdução:
Como seres humanos submersos em um universo afetado pelo pecado, vivemos a realidade da degeneração. Esta é a Segunda Lei da Termodinâmica, que diz que todo corpo entregue a si mesmo se consumira com o tempo (EXEMPLO DO PEIXE NA PIA DA COZINHA). A morte vai se introduzindo na vida e vai paralisando áreas, até que a paralisa toda. Assim, somos seres que com o passar do tempo vamos perdendo...

- Alguns com o passar do tempo perdem a mobilidade; ou por obesidade, ou por artrite, artrose...
- Alguns perdem a capacidade de ver... a vista vai ficando cansada (presbiopia) e a pessoa passa a enxergar menos e menos...
- Alguns perdem a audição. Geralmente com o passar dos anos, a audição vai diminuindo... diminuindo... (Pb. Igreja SP... desligava aparelho)
- Alguns perdem a memória... (vovô que esqueceu o nome da esposa...)

- Rubem Alves em um excelente livreto chamado: Coisas que dão alegria, traz uma crônica onde ele diz que nascemos flexíveis. Uma planta recém nascida tem um verde diferente, suas folhas novinhas são molinhas... Uma criança recém-nascida também é toda molinha... alguns tem até medo de pegar o neném... mas o tempo passa. A planta engrossa seus troncos e se torma dura... assim como a criança, depois de idosa, ao falecer, fica endurecida em uma tumba. Perdemos a capacidade de sermos flexíveis...

Perdemos, perdemos e perdemos...




Narração:
Pra entendermos este Salmo, é preciso entender isso que acabamos de dizer. Há coisas preciosas que se perdem e que necessitam de restauração para uma vida plena. O autor deste Salmo era alguém que viveu os dias de retorno de Israel do cativeiro Babilônico. Nele, Israel perdeu mais que a liberdade, perdeu a relação com Deus. Longe da pátria, longe do templo, longe da sua fé, o povo apostatava pelos caminhos da magia e das riquezas materiais. Foram 70 anos de cativeiro, longe das bênçãos de Deus.

Vejamos como o cativeiro babilônico aconteceu na vida do povo de Deus:
- Habacuque nos diz que este dia seria terrível... Um povo amargo e perverso (caldeus – neo babilônicos) dominariam tudo.
- Isaías nos informa que no cativeiro o povo dizia que Deus se esquecera deles. Anos passaram e eles não tinham qualquer perspectiva de liberdade.
- Jeremias em Lamentações declara que este tempo foi tão adverso que ele lutava para trazer a memória o que lhe daria esperança.
- O Salmo 137, é um salmo de exílio. Ele nos mostra como o povo estava na Babilônia:
“Nós nos assentávamos e chorávamos, lembrando-nos de Sião. Nos salgueiros que lá havia, pendurávamos as nossas harpas, pois aqueles que nos levaram cativos nos pediam canções, e os nossos opressores, que fôssemos alegres, dizendo: entoai-nos alguns dos cânticos de Sião. Como porém, haveríamos de entoar o canto do Senhor em terra estranha?”

Depois de 70 anos, quando as esperanças desvaneciam, após toda uma geração ser consumida longe da pátria... Deus restaura a condição de seu povo. Retornar à terra, era muito mais que uma questão geográfica. A terra está no eixo central da promessa de Deus a Abraão, na gênese da promessa de Deus:
“Abraão, sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei...” (Gn 12.1-2) e depois, Deus declara a Abraão: “Ergue os teus olhos e olha desde onde estás para o norte, para o sul, para o oriente e para o ocidente: porque toda esta terra que vês, eu ta darei, a ti e a tua descendência, para sempre” (Gn 13.14-15)

Retornar à terra, era restaurar a confiança, a realidade das promessas do Eterno na vida daquela gente. Este Salmo dos degraus, salmo das subidas anuncia este tema: a Restauração dna vida do povo de Deus. Algo que se havia perdido, pelo pecado, pela insensibilidade diante de Deus... Deus restaura a sorte do seu povo!





1. A RESTAURAÇÃO DA SORTE É OBRA EXCLUSIVA DE DEUS
“Quando o Senhor restaurou a sorte de Sião”... (v.1)

A despeito de toda a oposição política e cultural daqueles dias, Deus age nos porões do império e produz a liberdade do seu povo. Certamente, na história, teremos personagens que são importantes nisso tudo: Neemias, Esdras, o rei Ciro e tantos mais... mas Deus é que realizava a obra de reconduzir o seu povo ao seu devido lugar.

Só Deus pode restaurar o que foi perdido. Só Deus pode restaurar a liberdade, a fé e a sorte das pessoas. Só Deus pode restaurar a confiança quebrada em seu lar. Só Deus pode restaurar a alegria da vida familiar. Só Deus pode fazer novas todas as coisas...


2. A RESTAURAÇÃO DE DEUS TRAZ DE VOLTA A ALEGRIA
“ficamos como quem sonha, então nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua de júbilo... grandes coisas fez o Senhor por nós, por isso estamos alegres” (v.2-3)

A alegria é resultado direto da ação e da atuação de Deus na vida de seu povo. O Salmo 16, Davi declara: “Na tua presença há plenitude de alegria” (v.11). O mesmo Davi, após seu pecado, angustiado e atormentado por todo mau diz: “Restitui-me a alegria da tua salvação” (Salmo 51.12)

O apóstolo Paulo declara aos crentes da Galácia que a alegria outra coisa não é, senão o resultado da ação de Deus na pessoa humana; ele diz: “Mas o fruto do Espírito é: Amor, alegria, paz... (Gl 5.21)

Paulo escreve uma célebre carta aos crentes de Filipos, cujo tema é a alegria cristã. Paulo cita mais de uma dezena de vezes o termo alegria. Alegrai-vos no Senhor, outra vez digo: alegrai-vos. Os crentes estavam entristecidos. Quatro coisas roubavam a alegria do povo de Deus:
            - Circunstâncias
            - Relacionamentos
            - Perdas
            - Ansiedade

Por fim a Palavra de Deus declara tão grande importância da alegria na vida deste povo:
“A alegria do Senhor é a nossa força!” (Ne 8.10).

Somente pela restauração de Deus, a verdadeira alegria será restituída à vida do seu povo!


3. A RESTAURAÇÃO DE DEUS É SOLIDÁRIA, JAMAIS SOLITÁRIA
Restaura, Senhor a nossa sorte, como as torrentes do Neguebe”... (v.4)

A obra de Deus não é exclusivista. Não é excludente. Não é solitária. Ela é um convite a solidariedade. A restauração de Deus promove sentimento de solidariedade, de cumplicidade, de compaixão... de identificação com o fraco, com o necessitado, com o abatido, com o prostrado.

As torrentes do Neguebe, eram veio de água que no período de seca minguavam e até secava. Mas nos tempos de abundância, de chuvas, eram inundados e se tornavam corredores de promoção da vida por regiões desérticas e áridas. Estas torrentes levavam as águas dos lugares montanhosos para os lugares baixos e secos.

A restauração de Deus requeria um compromisso de solidariedade na restauração da vida, da cidade, dos muros, da fé e da dignidade.


4. RESTAURAÇÃODO SENHOR É SEMENTE DE ESPERANÇA DE UM NOVO TEMPO.
Quem sai andando e chorando enquanto semeia... voltará com júbilo trazendo seus feixes” (v.5-6)

O povo retornava a terra, saindo da Babilônia. A Babilônia era o lugar do luxo, da ostentação. Tudo que havia de mais precioso estava naquela localidade. Os melhores cavalos, as carruagens mais luxurentas. Pessoas viviam nababescamente...

Ao retornarem, encontrariam uma terra arrasada. Neemias chorou ao ver a situação de penúria de seu povo. Era um tempo de semear com esperança. Assim como o agricultor semeia aguardando as chuvas, e a partir delas a colheita farta; assim o retorno representava uma semente de esperança em um mundo assolado pelo caos.

Isso leva tempo. Requer paciência. Esta semana o mundo comemorou os 95 anos de Nelson Mandela. Mandela que nasceu, viveu e sofreu os anos do apartaid na África do Sul. Um negro não podia pegar o mesmo ônibus que um branco... coisas terríveis na condição moral daquela gente. Foi preso, abandonado em um cárcere. Mas de lá, mandava palavras de ordem, de esperança ao seu povo. Semente que um dia brotariam... Mandela tornou-se símbolo de alguém que saiu andando e chorando... mas voltou trazendo seus feixes...

Novos tempos, novos dias, nova história. Tudo isso pela restauração de Deus. Há casamentos que foram assolados por infidelidade, traição, mentiras, quebra de confiança... Pode ser hoje o dia do seu salmo 126...


Conclusão:
O que a Lei da Termodinâmica levou embora da sua vida ? O que precisa ser restaurado na sua caminhada ?
Quero convidá-lo a exercer sua fé, como Daniel, Isaías, Habacuque e tantos outros que nos dia da angustia clamaram ao Senhor...

Deus os ouviu e tiro-lhes de um poço de perdição...

Rev Carlos Orlandi Jr


EM TUDO DAI GRAÇAS

CELEBRANDO A GRATIDÃO






Texto Bíblico: 2 Samuel 9.1-13

Introdução:
Estamos reunidos aqui, neste dia especial para celebrarmos a gratidão, para reconhecermos a bondade de Deus na vida de cada um de nós, nas coisas grandes, nas pequenas, nas que nos chamam a atenção e também naquelas que passam desapercebidamente. Hoje é o Dia Mundial de Ação de Graças! Conhecido em inglês como: Thanksgiving Day.

Nos Estados Unidos e Canadá, este dia é um feriado nacional. O dia exato é a quarta quinta-feira do mês de novembro e teve início como festas de agradecimento pelas boas colheitas. Segundo consta, “o primeiro deles foi celebrado em Plymouth , Massachusetts, os colonos que fundaram a vila em 1.620. Depois de más colheitas e invernos rigorosos , os colonos tiveram uma boa colheita de milho no verão de 1621. Por ordem do governador da vila, em homenagem ao progresso desta safra em anos anteriores, a festa foi marcada no início do outono 1621. Homens de Plymouth mataram patos e perus. Outros alimentos que faziam parte do cardápio foram peixes e milho. Cerca de noventa índios também participaram do festival. Todos comeram ao ar livre em grandes mesas”.

Ação de Graças... Gratidão... Thanksgiving Day... muitas expressões, diversas linguas... uma só realidade:
Tácito, dizia que: Os homens apressam-se mais a retribuir um dano do que um benefício, porque a gratidão é um peso e a vingança, um prazer.
Segundo o filósofo Antístenes: “A Gratidão é a memória do Coração”.

Há uma historieta que ilustra bem esta verdade:
Era uma vez, numa cidade pequena, poucos habitantes, algumas lojinhas,e outras de armazéns; e numa dessas lojinhas um homem, cochilando por detrás do balcão, quando chega uma criança, e amassou seu narizinho contra um vidro de uma vitrine. Os olhos dela brilhando e escolheu um determinado objeto; e sem hesitar pediu aquele objeto para dar de presente a sua irmã.
O homem, por essa vez olhou desconfiado, e perguntou:- Posso saber quanto de dinheiro você tem?
A criança, com um pano cheios de nós, segurando na palma da mão, foi se desmanchando os nós em cima do balcão, exibiu algumas poucas moedas e disse!- Acho que isso dá, pois eu quero dar de presente para a minha irmã mais velha, pois, meu pai é pobre, o que ele ganha não da direito para o nosso alimento, e desde que minha mãe morreu é essa irmã que cuida de mim, e como hoje é o aniversario dela, eu queria presente-ala em forma de gratidão e meu agradecimento.
O homem, escutou aquilo, pensou e foi para o fundo da loja, embrulhou o presente, muito bem feito, colocou algumas fitas, e entregou a criança e disse: _ vá e leve com cuidado.
Ela saiu toda satisfeita, pela rua, com os pés descalço, com uma saia remendada.
Mais tarde, antes do comercio local se fechar, aparece uma moça, trazendo o embrulho desfeito e perguntou: Esse colar  foi comprado aqui?
_ O homem respondeu: _ sim senhora!
Quanto custou? _ o homem disse:_ o preço é confidencial, entre o vendedor e comprador!
A moça disse, minha irmã não tinha dinheiro para pagar tal objeto,ela tinha apenas umas poucas moedas, e percebe-se que o colar é original.
O homem pegou o objeto, tornou a embrulhar e devolveu a moça, dizendo: ela pagou o mais alto preço que qualquer pessoa pode pagar. Pois ela deu tudo que tinha. E o fez em um gesto de gratidão e amor.
O local encheu de silencio, e a moça pegou o embrulho e com os olhos cheios de água, retornou a rua em direção ao seu próprio lar.


Narração:
O texto lido nesta hora, nos leva a um passado bem distante. No tempo em que Davi estava iniciando seu ministério real perante a nação de Israel.

Davi havia sido escolhido por Deus e ungido por Samuel, ainda quando Saul governava sobre o povo. Saul tentou matá-lo por diversas vezes. Davi necessitou fugir, esconder-se para que não viesse a padecer sob a mão tirana do rei. Em sua jornada de preparação, Deus lhe concedeu um amigo especial: Jonatas. Ele era filho do Rei. Os dois celebravam uma amizade verdadeira, e Jônatas por diversas vezes socorreu Davi, alertou Davi sobre as emboscadas de seu pai. As Escrituras nos informam que quando Davi precisou fugir para o deserto, “Jônatas foi até lá, saiu do conforto do palácio para lhe fortalecer a confiança em Deus”.

Quando houve a guerra que culminou com a morte de Saul... na mesma ocasião, morre também o grande amigo de Davi – Jônatas. Jônatas pela sucessão direta dos reis seria o legítimo herdeiro do trono. Davi chora a morte de Jônatas e a perda de uma amizade benigna.

No texto que lemos, Davi acabara de assumir o reinado de Israel. Seu primeiro ato foi indagar sobre os descendentes de Saul.. Era costume dos reis que quando trocava a dinastia, aniquilava-se todo e qualquer descendente do rei anterior. Davi faz uma pergunta: “Sobrou algum descendente de Jônatas ? Resta ainda, porventura, alguém da casa de Saul ?” (v.1).

Davi é informado que havia um rapaz, deficiente físico, por nome Mefibosete. Ele era filho de Jônatas. O texto nos diz que “ele era coxo de ambos os pés” (v.13).

Davi então determina que ele fosse trazido para o palácio em Jerusalém e fosse tratado como filho do rei. Davi lhe restitui as terras de seu pai, determina que funcionários ali trabalhassem para colheita e sustento do mesmo. Davi revela seu coração bondoso. Davi havia perdido seu amigo, mas não as memórias do coração. Davi trata Mefibosete com amor, bondade e graça – as mesmas ações que seu amigo Jônats tratara para com ele. Davi revela a Mefibosete a gratidão de seu coração! As lembranças generosas de um coração agradecido.

Há algumas lições preciosas para nós nesta passagem:
1.   INGRATIDÃO: A LEPRA DO CORAÇÃO HUMANO
O Evangelho de Lucas nos apresenta a história de dez leprosos que foram curados por Jesus. Dez homens que seguiam para a morte e que foram abençoados por Deus, restaurados, transformados. Apenas um voltou. A benção de Deus curou a lepra do corpo, apenas um teve a lepra do coração humano curado. Apenas um venceu a ingratidão, essa lepra própria do coração afastado de Deus.

Nada há mais cruel do que a ingratidão. Nada há que machuca mais a apunhalada pelas costas daquele amigo do peito.

·        Miguel de Cervantes afirmava que: “A ingratidão é filha legítima da soberba”.
·        Martinho Lutero dizia: “Existem três cachorros perigosos: a ingratidão, a soberba e a inveja. Quando mordem deixam uma ferida profunda

A lembranças daquilo que os reis faziam para preservar o poder, matando os descendentes reais de seus opositores, certamente ecoava na mente dos súditos ao ouvirem a pergunta do Rei: “Sobrou alguém da casa de Saul?”

·        Jeu para reinar em Israel, matou Jorão seu antecessor.
·        Em Juízes, Abimeleque é feito rei, após matar seus 70 parentes...
·        Na Mitologia grega, Dédalo, ensinava seu sobrinho Tálos na arte da invenção. Tálos inventou o serrote, a roda do oleiro... e Dédalos enciumado o assassina e foge para Creta.

Jônatas estava morto, o que determinaria um gesto de misericórdia para com qualquer parente seu ? O que impediria que Davi sanguinariamente, obcecado pelo poder não matasse seus descendentes ? Os ingratos revelam isso. A ingratidão é a lepra do coração... a lepra torna o corpo insensível... há gente que convive, convive e não é capaz de perceber absolutamente nada. Gente que possui a sensibilidade da casca da ostra!

Paulo escrevendo a Timóteo destaca esta verdade:  “Sabe, porém isto: Nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, arrogantes, irreverentes, traidores, atrevidos... ingratos... antes amigos dos prazeres do que amigo de Deus”

Dos dez leprosos curados, apenas um retornou para render graças, para agradecer o favor do Senhor em sua vida... e Jesus indaga: “Não foram dez os que foram curados, onde estão os outros nove ?”

Certa vez, isso há muitos anos, em um funeral de um pai de família, ouvi o pastor dizer ao filho mais velho para que se aproximasse e desse o ósculo, o último beijo no pai que ia descer à campa fria. O filho, que até então não chorara a partida do pai, relutante, aproximou-se, beijou-o e a seguir desatou numa crise de choro, um choro incontido, desesperado e amargo. Perguntaram-lhe o porquê daquilo, ao que ele respondeu: “Esse não é o último beijo, mas sim o único em toda a minha vida...”. Coisas da vida que só afloram na hora da morte... Ter um filho ingrato é mais doloroso que a picada de uma serpente.


2.   GRATIDÃO: A MEMÓRIA SINGELA DO CORAÇÃO

Segundo o filósofo Antístenes: “A Gratidão é a memória do Coração”.

E ele tinha toda razão. A história de Davi com Mefibosete revela isso. Quem era Mefibosete ?


Mefibosese
 o filho de Jonatas, e portanto neto de Saul, primitivamente chamado Meribe-Baal ou seja, Is-Bosete que significa "O Homem de vergonha".
Aos cinco anos de idade, Mefibosete ficou aleijado de ambos os pés. Esse fato aconteceu quando, desesperada a sua ama o deixou cair ao chão ao ficar sabendo que o pai e seu avô morreram em campo de guerra. [2 Samuel 4:4]       .

Mefibosete foi levado com o resto de sua família para além do Jordão, nas montanhas de Gileade, onde achou refúgio na casa de Maquir (filho de Amiel), um poderoso sheik de Gade ou de Manassés na cidade de Lo-Debar. 

Quando Jônatas, o amigo mais chegado que irmão, que Deus dera a Davi faleceu... A generosidade, a gratidão de Davi se revelam verdadeiras no cuidado para com Mefibosete.

O que Davi nos ensina é que Gratidão se revela com ação... não com discurso. Há uma passagem da vida de Winston Churchill que ilustra isso. Certamente você já ouviu a frase:
"Não é sempre que um homem tem a oportunidade de agradecer ao mesmo homem por haver-lhe salvo a vida duas vezes". 

A hsitória desta frase é a seguinte:

Um famoso escritor conta a história de uma família rica, que foi convidada a passar um fim de semana na bela propriedade de uma outra família: a casa dos Winston Churchill.      

As crianças se divertiam porque havia uma deliciosa piscina na propriedade.        

No último dia, ocorreu uma tragédia. O menino menor quase afundou. As crianças puseram-se a gritar, procurando alcançar com as mãos o pequeno, que se afogava, mas inutilmente. Por fim, o pequeno Alexandre Fleming, filho do jardineiro, ouviu os gritos e saltou dentro da piscina, salvando assim o menino.        

Quando o pai ouviu a história, sua gratidão não teve limites. Ele se dirigiu ao senhor Fleming, o jardineiro, e disse:  
- Seu filho salvou a vida do meu filho, o que posso fazer pelo senhor?
- Ora, o senhor não precisa fazer coisa alguma, disse o jardineiro, meu filho fez o que qualquer outro faria.    

- Mas eu preciso fazer alguma coisa pelo seu filho. Que apreciaria ele?         
- Bem, desde que aprendeu a falar, tem manifestado o desejo de ser um médico.        
O homem estendeu a mão ao senhor Fleming, e disse:        
- Seu filho frequentará a melhor escola de Medicina que houver na Inglaterra.         
E sustentou a palavra.       

Ao final da Conferência de Teerã, o mundo foi sacudido com a noticia de que Churchill estava doente com pneumonia. Os meios de comunicação da Inglaterra transmitiram por toda a nação, o desejo de que o melhor médico do Império Britânico tomasse um avião para Teerã e assistisse ao Primeiro-Ministro.

Esse médico foi o Dr. Fleming, o descobridor da penicilina. Os seus esforços foram coroados de êxito.
Mais tarde, Winston Churchill eletrizou o mundo com a declaração:
"Não é sempre que um homem tem a oportunidade de agradecer ao mesmo homem por haver-lhe salvo a vida duas vezes".

O pequeno Fleming, que havia salvo a vida do pequeno Churchill, quando este se afogava numa piscina, tornou-se o Dr.Fleming, que de novo lhe salvou a vida.

O pai de Winston Churchil jamais sonhara, que, ao dar à Alexandre Fleming a oportunidade de estudar na melhor escola de Medicina da Inglaterra, estava provendo o meio de salvar a vida do seu filho, pela segunda vez, através do mesmo homem. 


3.   GRATIDÃO: EXPRESSÃO DA GRAÇA SEM LIMITAÇÃO

Davi recolheu Mefibosete. Davi o trouxe para o palácio do Rei, o que seu avô Saul nunca fizera por ele. Davi lhe devolveu terras, Davi o sustentou durante todos os dias de sua vida. Davi não agiu com limitação. Seu amor era extenso, seu favor imenso, sua gratidão sem limitação.

A palavra Gratidão tem sua raiz ligada ao termo graça. Gratidão é a qualidade daquele que é agradecido... daquele que reconhece que foi agraciado...

Paulo escrevendo aos Tessalonicenses declara: “Em tudo, daí graças, porque esta é a vontade de Deus... Somos chamados para sermos sempre agradecidos.

O salmista Davi que viveu dias adversos escreveu o Salmo 103 onde dizia:
“Bendize ò minha alma ao Senhor e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome. Bendize ò minha alma ao Senhor e não te esqueças de nenhum de seus benefícios”

Tudo que há em mim.... Todos os seus benefícios.... Devemos revelar, expressar nossa gratidão sem limitação! Não apenas nas horas boas... nas adversas também: Jó em meio a tragédia de sua vida afirmou:
“O Senhor deu, o Senhor tomou... bendito seja o nome do Senhor!”


Pr Carlos Orlandi

IDEOLOGIA DE GÊNERO E A HIPOCRISIA DA FÉ

O debate do momento é a questão da ideologia de gênero nas escolas e na sociedade. Para quem tem valores e princípios bíblicos, esta é uma questão de afronta explícita: deixar uma criança decidir se é homem ou mulher na contra-mão da sua essência biológica é ao menos a negação de toda as ciências biológicas pelo autoritarismo das ciências sociais, pra não dizer de vez que é religiosamente, uma esculhambação de tudo por completo.


Antes de mais nada, me posiciono claramente ao fato de que creio na criação do ser humano: macho e fêmea e que tal questão não é uma mera decisão se me sinto isso ou aquilo; mas uma esterotipia genética.  Decidir que você é homem, sendo mulher não mudará seus genes e vice e versa. Na questão religiosa, creio sim que Deus criou homem e mulher à sua semelhança e estabeleceu elementos para tal identificação e perpetuação da própria raça.
Além desses elementos biológicos identificadores, há também na Bíblia, o papel estabelecido por Deus para cada um: se homem – há nas Escrituras o que vem a ser o papel do homem; se mulher – há o papel feminino dado por Deus. A meticulosidade deste ensino era tão grande que na Lei mosaica, que até o que era roupa masculina e feminina era definido. Ler os escritos do Novo Testamento fica bem claro que ser homem trás responsabilidades e papéis e ser mulher também e que estes são distintos entre si. E especialmente no casamento há também papéis distintos e definidos aos homens e as mulheres e esses tais não são de mera decisão interna, mas de normatização de relações segundo Deus. Deus os estabeleceu para que na vivência dos mesmos, a harmonia fosse estabelecida. Papéis relativos à liderança e papéis relativos à quem não está na liderança familiar transcendem a questão cultural. Estes papéis relativos a cada grupo: homens e mulheres; não são relativizados; são explícitos e claros. É indissociável no contexto de debates dos dias atuais que a questão de gênero e de papéis sociais relativo à cada classe de pessoa é algo a ser revisto à luz do ensino da Palavra de Deus.
Vejo também,  a adesão maciça da população cristã (evangélica, protestante e católica) nas redes sociais, protestando apoio ao que cunhou-se “ideologia de gênesis” – homem e mulher criados por Deus. E combatendo até com campanhas, projetos e certa veemência a relativização desta questão pertinente à questão de gênero. Mas nesse mundo pós-moderno, ainda me choca a bipolaridade dos mesmos grupos que são tão belicosos no ataque a ideologia de gênero, quanto  à relativização do homem e mulher segundo a consciência de cada qual; e ao mesmo tempo, são tão incoerentes com as práticas que professam. Deixe-me ser mais explícito.
Grupos que são contenciosos pela oposição a ideologia de gênero, pois isso é contra a Bíblia e os princípios e papéis estabelecidos por Deus (o que acredito plenamente)... muitas vezes  são os mesmos grupos que relativizam os princípios e papéis dados por Deus em sua Palavra a vivência na própria igreja. Discordam da relativização do papel homem/mulher, mas relativizam os mesmos papéis  em suas comunidades numa afronta clara ao que Deus estabeleceu.
Onde no Novo Testamento há um só exemplo de pastora, bispa, apóstola? Me mostre onde Jesus convocou mulheres para exercerem tal autoridade espiritual? Mulheres serviam a Jesus com seus bens (Lc 8.1-3), serviam à igreja quando muito como diaconisas (Rm 16;1-2 e 1 Tm 3.1-13  Tt 1.5-9) jamais como pastoras, bispas e outras funções de liderança na Palavra. Paulo chega até a repreender a Timóteo dizendo: “A mulher aprenda em silêncio, com toda submissão, não é permitindo a mulher ensinar, nem exercer autoridade de homem (...) porque, primeiro foi formado o homem, depois a mulher. E Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão” (1 Tm 2.11-15). Se você concorda ou não, não me importa. Isso são os papéis estabelecidos por Deus na sua Palavra, para a sua igreja.
Os papéis de homem e mulher são definidos por Deus também dentro da realidade de fé para seu povo. A incoerência me assombra que os mesmos grupos que defendem biblicamente a definição de papéis sociais homem e mulher, relativiza os mesmos papéis nas esferas eclesiais. Os textos são tão claros para revelar a inexistência bíblica de pastoras... esse papel é de homem na fé. Mas os mesmos grupos belicosos na questão do gênero na sociedade, são os mesmos que negam os mesmos fundamentos quando a questão é de fé na sua igreja. Ai vale qualquer coisa. Ai não se precisa obedecer ao extremo a Palavra e o que Deus estabeleceu quanto aos papéis homem e mulher na igreja. Ai relativizamos e ordenamos mulheres para exercerem papéis de homens.... mas não queremos quando a sociedade observando tais práticas deseja aplicá-las genericamente.
Por agirem assim, são coniventes e estimuladores daqueles que hoje querem relativizar o sexo segundo a cabeça de cada um. Se as igrejas que deveriam zelar pela guarda dos valores e  princípios de Deus quanto aos papéis de cada sexo, não o fazem; antes o relativizam nos seus guetos denominacionais, conforme a conveniência de sua liderança... que moral tem esses de postarem qualquer coisa numa esfera contrária?
É preciso por primeiro em ordem a própria casa, para depois querer arrumar o mundo! É preciso primeiro a igreja se submeter à voz de Deus, para que depois esta possa cobrar qualquer coisa em outra esfera. Por essas incoerências, por esta esquizofrenia, não acredito que de fato seja isso uma questão de fé... mas de manipulação da boa fé de uma parte da população que desconhecedora da verdade, é massa de manobra para todo tipo de  líder que se auto-rotula cristão!
Vamos dizer um não a ideologia de relativização dos sexos e seus papéis. Mas vamos ter a coragem de fazê-lo em nome da Palavra, dentro e fora das igrejas.... e ai? Vai pagar o preço?

Carlos Jr

A MENTIRA DA FÉ CRISTÃ HOJE

UM EVANGELHO SEM A SUPREMACIA DE CRISTO
Texto Bíblico: Hebreus 7.4-28
Com o progresso da fé chamada evangélica pelo mundo, uma preocupação tem surgido ao coração... esta fé que tem sido propagada e alardeada, é de fato a fé evangélica? O que se tem visto e ouvido sobre a fé atual é algo advindo do Evangelho de Cristo Jesus? O que temos sido confrontados, como pastores e crentes e muitas vezes seduzidos a seguir, é o verdadeiro evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo?
A primeira literatura do NT a ser escrita foi à carta de Paulo aos Gálatas (aprox. 55-60dC). Esta carta foi a página de abertura dos escritos bíblicos do NT. E o que trata esta carta? Paulo começa este seu escrito, escrito inaugural da revelação divinal no NT, escrevendo a uma igreja cristã que nos seus primeiros dias, era conhecida como uma igreja que vivia a difusão e a expansão evangelística – vide Atos apóstolos... A esta igreja cristã, Paulo diz:
“Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o Evangelho de Cristo. Mas ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema” (Gl 1.6-9).
O cerne do problema que gerou esta provavel primeira literatura neo-testamentária, era o fato de que com o crescimento exponencial, os cristãos da região da galácia (que compreendia diversas igrejas) estavam retrocedendo a padrões, costumes e a comportamentos que eram alheios ao Evangelho de Cristo. Isto é, aquelas igrejas estavam vivendo um Evangelho que nada mais era do que um sincretismo religioso. No dicionário: O sincretismo religioso é um fenômeno que consiste na absorção de influências de um sistema de crenças por outro. O sincretismo religioso, atrelava a base judaica (a Lei) com o Evangelho de Cristo (a Graça).
Mas, isso não aconteceu somente naquela época. Até hoje, vemos instituições, comunidades, oradores convocando as pessoas a se associarem a este sincretismo religioso que em ultima análise – revela a inexistência da supremacia de Cristo. O fazem como novidade, sem se atentarem para o fato, de que isso é o erro remoto, senão o erro inaugural da fé:
No Evangelho apregoado hoje, temos o mesmo erro com os seguintes trajes:
- Pastores que necessitam se sacrificar pelos seus fiéis, com jejuns, subidas aos montes, auto-penitencias... pois talvez o sacrifício de Cristo não tenha sido eficaz. Muitos dizem: agora eu vou jejuar dois dias para que seu pedido seja atendido... e Deus vai ouvir as minhas orações e vai te conceder sua benção.... Ora, meu querido irmão, me desculpe - Se Deus não vê o sacrifício de Cristo, seu filho... o que dirá destas besteiras travestidas de evangelho da auto-flagelação?.
- São denominações reconstruindo templos Salomônicos, talvez para ressuscitar as práticas de fé dos ancestrais judaicos, quem sabe, até com oferendas de animais – numa clara alusão ao fato de que, a obra de Cristo não é a base deste evangelho que se tem anunciado. O resgate de templos passados nega o que é a obra de Deus nopresente: Pois em Cristo... nós somos o verdadeiro templo do Espírito Santo.
- Dogmas sacralizados baseados na manipulação emocional de que os condicionantes do pacto de Deus com Israel no AT continuam como base de bênção e maldição para os dias atuais... O condicionante para Israel – obediência – vida; desobediência – morte; já revelou que morreríamos. Que não seríamos capazes de obedecer como convém. Por isso alguém morreu em nosso lugar, alguém tomou a maldição sobre si... Jesus. Ao retomarmos estes princípios estabelecidos pelas ordenanças antigas, outra coisa não fazemos – senão negarmos a supremacia e a obra de Cristo.
A ignorância das Escrituras tem produzido devotos cegos e manipulados a todo tipo de religiosidade que nada encanta os olhos de Deus.
Narração:
A Epístola aos Hebreus deveria ser mais estudada. Este é um dos livros mais negligenciados do NT. Por tratar da exposição do Evangelho ante a fé judaica, não nos interessamos por estudá-lo como convém. Porém, esta carta nos faz ver exatamente estas questões que não nos permitiriam o engodo de novos evangelhos com velhos erros.
O esboço desta epístola aos Hebreus pode ser assim visto (Fritz Laubach – Comentário Esperança aos Hebreus)
1. A superioridade universal e infinita de Jesus, o Cristo (1.1-4.16)
2. A superioridade inquestionável do sacerdócio do Senhor (5.1-10.39)
3. A superioridade da pessoa e do poder de Jesus Cristo (11.1-13.19)
4. Considerações finais e bênção (13.20-25)
O texto que lemos para nossa exposição encontra-se exatamente na seção – a superioridade inquestionável do sacerdócio do Senhor. Neste capítulo 7, o autor da epístola trava uma argumentação intensa para mostrar aos seus leitores cristãos as diferenças e a superioridade de Cristo sobre todas as ações religiosas decorrentes e recorrentes do AT. Que as práticas sacerdotais do AT sucumbiram. Que atrelar o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo a comportamentos sacerdotais do AT, vivência escravizadora da Lei, é uma prática absurda, infundada e que nega a excelência da fé evangélica. É incorrer naquilo que Paulo dizia aos Gálatas: “Estão passando tão rapidamente para outro evangelho”.
É preciso resgatar o Evangelho de Cristo, evidenciar a supremacia de Cristo sobre qualquer ritual, condição sacerdotal e outras realidades mais.
O EVANGELHO DA SUPREMACIA DE CRISTO
1. Na sua fundamentação sacerdotal: Jesus é sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque
Os sacerdotes do AT eram herdeiros de Abraão. Jesus não – é da ordem de Melquisede. A ordem Levitica é vista como descendência de Abraão. E em Abraão a sua descendência está vinculada – no gesto deste dedicar o dízimo a Melquisedeque, revelando a inferioridade deste sacerdócio para com o de Melquisedeque. No verso 7 declara: “o inferior é abençoado pelo superior” numa alusão que Abraão dedica seu dízimo e é por Melquisedeque abençoado. O verso 4 inicia a seção enfatizando a supremacia deste sacerdócio dizendo: “Considerai, pois, como era grande esse a quem Abraão, o patriarca, pagou o dízimo tirado dos despojos”.
Toda a casta sacerdotal de Israel tinha sua base em Abraão. Ele é o pai de uma nação monoteísta. Ele é a origem de uma raça, e dele advém toda a descendência que cultuava a Deus. O sacerdócio no AT tinha em Arão sua gênese funcional. A tribo de Levi foi a escolhida para o exercício do sacerdócio entre as demais tribos de Israel. Não existiam sacerdotes de outras tribos em Israel. A tribo de Levi foi que concedeu sacerdotes e levitas – e como tal, deviam viver do que arrecadassem no culto, sacrifícios e ofertas.As demais tribos na terra, ganharam espaço de chão para plantar, colher e criar rebanhos.... a de Levi não.
No verso 14 lemos: “é evidente que nosso Senhor procedeu de Judá, tribo à qual Moisés nunca atribuiu sacerdote, constituído não conforme a lei de mandamento carnal, mas segundo o poder de vida indissolúvel... Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque”.
O verso 22 continua dizendo: “por isso mesmo, Jesus se tem tornado fiador de superior aliança”.
O sacerdócio de Jesus é espiritual – o de Levi terreal. O sacerdócio de Jesus é atemporal... o de Levi é condicional. Estamos trocando a excelência pela obsolência. O essencial, pelo ultrapassado.
O que isso quer dizer. Quer dizer que o Evangelho que temos visto ser anunciado em muitos lugares, é um evangelho reduzido, esvaziado da grandiosidade e da supremacia de Cristo. Substituido por um evangelho centrado no sacerdócio humano, de ordenanças temporais que já foram revogadas (verso 18) – “por causa de sua fraqueza e inutilidade, se revoga a ordenança anterior”...
Temo que estejamos vivendo apenas aquilo que já foi revogado. Que nosso evangelho tenha se tornado obsoleto pelos vínculos sacerdotais de um evangelho desviado de sua rota! Algo que satisfaça e agrade o humano, desprovido da verdade divina.
2. Na sua prática cerimonial: A lei foi revogada devido sua inutilidade e fraqueza
O Evangelho da suficiência de Cristo extirpa a Lei como paradigma para algo melhor... Verso 19 diz dessa inutilidade: “a lei nunca aperfeiçoou coisa alguma”. E o Verso 18 declara sua revogação: “assim se revoga a anterior ordenança”. No verso 12 e 13, lemos que a supremacia de Cristo como sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, estabeleceu uma nova ordem... a antiga passou: “Pois, quando se muda o sacerdote, necessariamente há também mudança de lei”. Conquanto a Bíblia diz isso, há ainda aqueles que continuam a fazer da lei o referencial e sua diretriz comportamental. Não houve uma reforma... não houve uma melhora... o que o texto diz é que houve mudança de lei. Cristo cumpriu a Lei porque nós jamais o faríamos por nós. Uma vez cumprida as exigências da Lei, ele a substituiu por algo superior...
Se a Lei foi revogada, ruiu em seus aspectos cerimônias – culticos – morais....isso quer dizer que:
a. O culto com sacrifício de animais foi destituído. Jesus é o Cordeiro que faz o sacrifício perfeito diante de Deus, em nosso favor... verso 27 diz: “não tem necessidade, como os sumos sacerdotes, de oferecer todos os dias sacrifícios, primeiro, por seus próprios pecados, depois, pelos do povo, por que Cristo fez isto uma vez por todas, quando a si mesmo se ofereceu”.
b. Os dízimos remontam também a velha ordenança. É assim que tem início o texto do capítulo 7 – falando que Abraão dizimou diante de Melquisedeque e que os descendentes de Abraão (sacerdotes levitas) recolhiam o dízimo de seus irmãos.
· O dízimo antes da Lei Mosaica: Gn 14:17-20 e Gn 28.20-22 são os dois textos que apontam uma ação de dizimar; uma de Abraão e outra de Jacó.Não há exortação a nenhuma igreja do NT à prática dizimal... eram fiéis? imagina, nem Israel que herdou a lei o foi... não havia mais tal ordenação.
1. Estes dois são os únicos exemplos de dizimar que podem ser encontrados no Velho Testamento antes da Lei ser dada. Ambos são exemplos de algo voluntário, e nenhum desses dois dizimar foi pedido por Deus. Em nenhum dos personagens [Abraão e Jacó, que deram estes dois dízimos,] vemos um exemplo de dizimar como uma prática geral [habitual, constante] das suas vida. De fato, na vida de Abraão, parece que temos um dízimo como algo que ele só deu uma única vez em sua vida, e foi [um dízimo] dos despojos de uma vitória militar, dado a um sacerdote de Deus. Se nossa única evidência para exigir crentes sob o Novo Pacto a dizimarem se apóia nestas duas passagens de Gênesis, parece-me que estamos nos apoiando em um fundamento muitíssimo inseguro!
· O Dízimo estabelecido pela Lei Mosaica.
1. Levítico 27:30-33; a primeira ordenação
2. Números 18:21-24; o dízimo para os levitas
3. Deuteronômio 14:22-27; o dízimo para festival
4. Deuteronômio 14:28-29; o dízimo para pobres
5. Mais Neemias 12:44 e Malaquias 3:8-12.
O dízimo sob a ordenança da Lei era para o sustento dos levitas que não tiveram herança de campos. Era para abastecer a obra, era para socorro aos pobres e era resultado da aliança de Deus com Israel – Se obedeceres tereis vida; se não obedereces recebereis maldição.... Por isso – Malaquias com toda razão anuncia: “com maldição sois amaldiçoados...”!
· E o dízimo no Novo Testamento? No Novo Testamento, temos citações de Jesus durante o seu ministério e temos citação em Hebreus. As citações de Jesus apontam pratica religiosa sob domínio da lei assim como Hebreus. Mas a Lei em Cristo, caiu.
Assim, não temos em nenhuma das cartas as igrejas do NT, qualquer menção de dízimo. Não parece estranho? As igrejas eram gentílicas, nunca tiveram pratica de dizimarem, como faziam os de Israel.. e nenhum dos autores bíblicos do NT faz qualquer menção disso? Seria pelo fato de todas elas serem fiéis, exemplares? De jeito nenhum! As igrejas tinham problemas de todo tipo e não seria diferente na esfera do dizimo.
A questão era que o dízimo nunca foi pratica exigida das igrejas cristãs no NT. A contribuição sim... mas no formato da lei dizimal do AT não.
Nenhum oficial foi orientado a ser dizimista, não parece estranho; nem diácono e nem presbíteros. Mas foram orientados a serem generosos, contribuintes na obra e participantes da graça do sustento dos santos.
Assim, como o sacrifício foi abolido com a revogação da Lei – assim a exigência do dízimo no NT foi também. Faço minhas as palavras do Dr Augustus Nicodemus – Ele diz: “Você não encontra no NT um mandamento para que o cristão seja dizimista. Mas você encontra compromisso de sustento da obra do evangelho. Assim você pode ver:
- Todo crente tinha que ser contribuinte, todo crente tinha que participar do sustento da obra e isto é bem abundante nas páginas do NT.
- A contribuição era de ordem generosa. Movida pelo amor e pela alegria... “Deus ama a quem dá com alegria”
- A contribuição era baseada na proporcionalidade. – 2 Cor 8. 11 era conforme a posse de cada um. Cada um deveria contribuir de acordo com o que recebeu de Deus.”
c. O Comportamento moral é norteado por outra tese. Se no AT pela percepção da santidade punitiva; de castigo e punição... no NT pela percepção da santidade amorosa de Deus.
· Paulo disse assim: “Todas as coisas me são lícitas...” (1 Co 6.12). Paulo não está dizendo que algumas coisas são lícitas e outras não. Todas as coisas. Este texto está num contexto de litígio entre irmãos. E segue para tratar da sensualidade. Assim, Paulo em nenhum momento evoca o peso da lei para argumentar, para punie, para amedrontar, ameaçar.... Ele diz que são lícitas, mas...
a. Não me convém
b. Não me deixarei dominar
Paulo apela para a ordenança do amor revelado no Senhor, de uma consciência cativa desta graça. Madura, ciosa de todas as coisas.
Perdoe-me se eu estou te assustando. Mas o Evangelho da Supremacia de Cristo é este. Não este sincretismo religioso que não se sabe se ora é judaísmo, ora é cristianismo ou ora se torna seja lá o que for...
3. Na sua esperança superior: A nossa esperança em Cristo transcende a morte
Na antiga dispensação da Lei e da religiosidade judaica, a morte era o ponto final, conquanto alguns grupos cogitavam de uma existência eterna... outros todavia combatiam: caso dos saduceus.
Alguns milagres revelam esse cenário: a morte da filha de Jairo em Marcos 5: "porque incomodas o mestre, tua filha morreu!". A morte de Lázaro em João 11; "já cheira mau". A morte que sempre foi um adversário invencível ao homem desde sua criação, foi derrubada pelo autor da vida: "Onde está ò morte a tua vitória?"
A esperança em Cristo como sumo sacerdote de uma nova ordem... não mais de Levi, e sim de Melquisedeque, é transcendente a tudo. O mandamento vindo pela lei mosaica diz o texto: era carnal - 7.16. O mandamento vindo por Cristo conforme a ordem de Melquisedeque é espiritual. Em hebreus 7.18 afirma-se que a ordenança anterior foi revogada por conta de sua fraqueza e inutilidade... pois era incapaz de aperfeiçoar quem quer que fosse. Por outro lado, diz verso 19: "se introduz esperança superior, pela qual chegamos a Deus... essa esperança superior é Cristo Jesus.
Retomar a antiga ordenança é negar a suficiência e supremacia de Cristo. Voltar as práticas judaizantes e chamar tais coisas de Evangelho e blasfêmia à obra de Cristo e do Espírito Santo. Em face a essa realidade, o que se vive hoje é o Evangelho da Verdade?
- novos sacerdotes... líderes apostólicos
- praticas arrecadatórias escravizadoras dos fiéis
- uma compreensão teológica ainda escrava da lei (Hebreus 7.12)
Tempo de refletir e questionar o engano que está por ai!
Pr. Carlos Orlandi Jr